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Maria Machado: a força feminina que fez história como a primeira juíza de rodeio do Brasil

Determinada, apaixonada pelo meio rural e pelas tradições sertanejas, Maria Machado rompeu barreiras e se tornou a primeira mulher do país a integrar a Associação Brasileira de Juízes de Rodeio (ABJR). Sua trajetória é marcada por coragem, estudo e amor pelo esporte que sempre admirou desde a infância.

“Desde pequena eu sempre estive muito próxima do meio rural e das tradições sertanejas. Fui criada pela minha mãe na roça, junto com a minha irmã, e quando tinha rodeio na cidade, minha mãe nos levava e eu fui pegando gosto pelo que via”, relembra Maria. A paixão cresceu com o tempo. Em 2022, um amigo a convidou para fazer o curso de juíza, e foi ali que ela descobriu seu verdadeiro propósito. “Daquele curso em diante eu me apaixonei pela profissão e percebi que queria estar ali, contribuindo com o esporte como juíza”, conta.

Ser pioneira em um ambiente dominado por homens foi um desafio, mas também uma conquista marcante. “Ser a primeira mulher do Brasil a fazer parte da ABJR foi um desafio pessoal enorme, mas também uma grande vitória. No começo, muita gente duvidava da minha capacidade, precisei provar meu valor com muito estudo e dedicação”, explica. Maria faz questão de destacar o apoio de duas amigas fundamentais nessa jornada: Marli e Rayane. “Aos poucos, o respeito vem, e hoje me sinto muito feliz de ver que abri uma porta para outras mulheres que sonham em fazer parte desse meio.”

Apesar das vitórias, ela reconhece que o preconceito ainda é um obstáculo. “O preconceito velado foi e é o mais difícil. Às vezes não era o que diziam, mas o olhar, a desconfiança, o ‘vamos ver se ela aguenta’.”

Maria lembra com emoção de seu primeiro julgamento oficial. “Eu estava nervosa, claro, mas também muito orgulhosa. Tive ajuda essencial dos outros dois juízes, que me acalmaram, me deram apoio e suporte. Quando subi no brete pela primeira vez com o cronômetro ligado, senti que estava exatamente onde devia estar. Foi um misto de emoção, responsabilidade e realização. Tem sentimentos que não dá pra explicar.”

Sobre o que considera essencial na profissão, ela é categórica: “A principal qualidade é a imparcialidade, ética e muito conhecimento técnico. Julgar exige atenção, mas também equilíbrio emocional e respeito com todos os competidores.”

Até hoje, Maria ainda não enfrentou uma situação polêmica em arena, mas diz estar preparada. “O segredo é manter a postura, explicar quando for preciso, sempre com muito respeito e não deixar a emoção interferir.”

Fora dos bretes, Maria é formada em Medicina Veterinária e atua na área de vendas, ligada ao segmento lácteo. “Sempre estive próxima dos animais e da vida rural, isso é parte do que eu sou. Fora da arena, é a minha família, minha sobrinha, os amigos e essa conexão com a vida simples do interior que me dão força.”

Para ela, o avanço das mulheres no rodeio é motivo de orgulho. “As mulheres estão conquistando cada vez mais espaço, e isso é lindo de ver. Ainda há muito caminho pela frente, mas hoje já tem competidoras em várias modalidades, madrinheiras, juízas, diretoras, comentaristas e muitas outras profissionais que mostram que o talento não tem gênero.”

Maria deixa uma mensagem inspiradora para quem sonha em trilhar o mesmo caminho. “Acreditem em vocês, mesmo quando ninguém mais acreditar. Se preparem, estudem, se dediquem, porque não existe sonho grande demais quando há dedicação e amor pelo que se faz. Não deixem que o medo ou o preconceito tirem o brilho do sonho de vocês.”

Com humildade e esperança, ela encerra falando sobre seus planos. “Ainda tenho muitos sonhos, como julgar grandes rodeios, ir em um rodeio no exterior, mas o maior deles é ver o rodeio e os profissionais que o fazem acontecer sendo tratados com o respeito que merecem. Também desejo que as próximas gerações encontrem um meio mais valorizado, mais respeitado e mais justo pra todos que vivem disso.”

Entrevista: Luiz Aldama
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