Cultura

Dia de Reis: tradições se reinventam para manter viva a folia em Goiás

As bandeiras coloridas seguem abrindo caminhos. As cantorias continuam ecoando pelas ruas e pelos interiores. No entanto, a Folia de Reis em Goiás precisou aprender a se adaptar para continuar existindo. Entre vans, grupos de WhatsApp e novas formas de organização, uma das tradições religiosas mais antigas do estado busca manter viva uma herança que atravessa gerações.

Todos os anos, entre o Natal e o dia 6 de janeiro, casas, ruas e comunidades recebem a visita simbólica dos Três Reis Magos. É nesse período que a Folia de Reis ganha força. Além disso, transforma o cotidiano com música, fé, encontro e partilha. Em Goiás, especialmente no interior e nas periferias urbanas, a tradição segue firme, ainda que enfrentando desafios.

“Quando a folia chega, ela leva bênção, mas também leva encontro, emoção e memória”, resume Divina Delfina de Brito, uma das principais responsáveis pelos Grupos de Folia de Reis no estado. Segundo ela, preservar a tradição exige mais do que devoção. Exige adaptação. Exige organização. Exige diálogo com o tempo presente.
Tradição que se adapta para continuar
A principal mudança está na logística dos chamados “giros”, quando os foliões visitam casas em cumprimento de promessas. Se antes tudo era feito a pé, hoje o transporte coletivo se tornou aliado. Vans, ônibus e carros particulares ampliaram o alcance das companhias, permitindo que a bandeira de Santos Reis chegue a mais famílias.

Além disso, a comunicação também mudou. Convites que antes circulavam por bilhetes ou recados agora passam por aplicativos de mensagem. “Hoje praticamente todo mundo tem WhatsApp. Isso facilita muito a organização do giro e o contato com os devotos”, explica Divina. Ainda assim, os ritos permanecem. Os cantos, as rezas, a bandeira, a acolhida e a despedida seguem intactos.

No centro do ritual está a bandeira de Santos Reis. Ela carrega símbolos, promessas e histórias. No entanto, nunca caminha sozinha. Cantorias, instrumentos, danças e a solidariedade entre os participantes completam o cenário que faz cada folia ser única.

Menos grupos, mais desafios
Apesar dos esforços, a Folia de Reis enfrenta obstáculos importantes. O número de grupos ativos diminuiu nos últimos anos. Além disso, há dificuldade em atrair jovens para manter a tradição. Por isso, encontros culturais se tornaram estratégicos para fortalecer vínculos e valorizar a manifestação.

Um desses momentos já tem data marcada. No dia 25 de janeiro, Goiânia recebe o tradicional Encontro de Folias de Reis, na Praça da Matriz de Campinas. Promovido pela Prefeitura da capital, o evento reúne companhias de várias regiões do estado, reforçando a diversidade e a riqueza cultural da tradição.

Fé, história e identidade popular
O dia 6 de janeiro marca oficialmente a festa de Santos Reis. A data celebra a visita dos Três Reis Magos ao Menino Jesus, guiados pela estrela. Em Goiás, a comemoração ganhou identidade própria, fortemente influenciada pelas tradições mineiras e pelo modo de vida do interior.

As Folias de Reis misturam fé, música e convivência. As rezas são quase sempre cantadas. Os foliões pedem proteção para as famílias, agradecem pela acolhida e seguem adiante. A chegada e a despedida são momentos simbólicos, marcados por respeito, emoção e comunhão.

Mais do que uma festa religiosa, a Folia de Reis é um patrimônio vivo. Passa de geração em geração. Carrega memória. Fortalece laços comunitários. E, mesmo diante das transformações do tempo, insiste em permanecer.

No fim das contas, talvez seja justamente essa capacidade de adaptação que garante sua continuidade. A folia muda o caminho. Mas não perde o sentido.

Por: Otávio Augusto Ribeiro
Comitivas News

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